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Arquivo : December 2010

No trânsito paulistano, um segredo da China
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UOL Carros

Da Redação

Atualizado às 18h05 de 25/12

Mais uma manhã de trânsito de dezembro — (muito) engarrafado, portanto — em uma das principais vias de São Paulo, a Marginal Pinheiros. Desta vez, contudo, a lentidão permitiu que o o colaborador Rodrigo Lara flagrasse o carro das fotos. Chamaram a atenção a camuflagem, a placa verde — que denuncia que é um veículo importado em processo de homologação — e o logotipo oculto.

Fotos: Rodrigo Lara/UOL

Acima, ao centro, o sedã compacto da JAC preso no tráfego paulistano,
pouco antes de chegar à uma das futuras lojas da marca chinesa, na Zona Sul

“O sedã tinha proporções similares às de um Fiat Siena ou um Volkswagen Voyage. As lanternas, por sua vez, lembravam vagamente às do Citroën C4 Pallas”, apontou Lara. O mistério foi desfeito instantes depois, quando o carro encostou em uma concessionária na região da ponte João Dias, na Zona Sul da cidade. A loja era da JAC, marca chinesa trazida ao Brasil por Sérgio Habib (leia entrevista com o empresário, sobre a chegada dos chineses, aqui), que já esteve à frente das operações da francesa Citroën, da qual ainda mantém concessionárias.

Foto: Divulgação

Este é o visual do sedã, que vai brigar com Siena e Voyage

O carro, por sua vez, é o J3 Turin, versão sedã do hatch apresentado durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro,  e previsto para chegar junto com a estreia oficial da rede de concessionários em março.

O disfarce, desta vez, durou pouco e mostra a ansiedade da marca em estrear logo por aqui.

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‘Taxi elétrico’ mostra um Brasil ainda desligado do mundo
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Eugênio Augusto Brito

EUGÊNIO AUGUSTO BRITO
Enviado especial a Curitiba (PR)

O leitor ligado no UOL Carros sabe a quantas anda o desenvolvimento de automóveis com propulsor alternativa ao motor a combustão: mundo afora, híbridos batem recordes de vendas e são aclamados com prêmios — isso já é realidade nos Estados Unidos, Europa e Japão. Também por lá, governos e sociedade se apressam para definir políticas de regras e, principalmente, benefícios para veículos elétricos com a tal “emissão zero” de poluentes. Claro, a adoção em maior ou menor escala depende do mercado, que é guiado pela pressão do “ambientalmente correto”, mas também (e com muito peso) pelo preço e disponibilidade dos derivados de petróleo.

Aqui no Brasil, no entanto, o caminho é outro: discutimos em quais Estados é vantajoso trocar a gasolina por álcool no momento de abastecer, reclamamos da alta do preço do etanol durante a entressafra da cana e, vez ou outra, participamos de fóruns acalorados sobre o veto ao uso de motores a diesel em carros de passeio. Automóveis híbridos são novidades pontuais e veículos elétricos ainda habitam o mundo de sonhos, projetos e salões do automóvel — estão num porvir ainda distante. No geral, a iniciativa privada espera que o governo (em todas as suas esferas e poderes) defina sua política para começar a pensar no assunto para valer, enquanto o governo se vale do programa do álcool para adiar a decisão.

Fotos: Eugênio Augusto Brito/UOL

Taxi elétrico (acima) é iniciativa da Fiat, empresa de energia do Paraná e cooperativa de taxistas

De toda forma, mesmo reservadas a espaços e/ou grupos fechados, propostas e projetos pipocam aqui, ali, ou acolá, e cada vez mais passam a fazer parte do cotidiano de algumas pessoas. As fotos que ilustram este post, feitas no setor de desembarque do Aeroporto Internacional Afonso Pena, na região Metropolitana de Curitiba (PR), são exemplo disso.

A perua Fiat Palio Weekend convertida em modelo elétrico não é novidade e foi mostrada, aqui mesmo, em julho de 2009. Na oportunidade, foi vista e testada dentro da Usina de Itaipu, local do projeto piloto. Ações semelhantes estão sendo desenvolvidas em diversos pontos do país, fruto da parceria entre concessionárias do setor elétrico e fabricantes automotivos, consagrados ou não. Quer mais um exemplo? O utilitário Aris, da Edra e da CPFL, no interior de São Paulo.


Protótipo ainda tem baixa autonomia e longo tempo de recarga, mas já traz economia

Voltando à perua, o diferencial agora está na liberação do uso público: uma unidade do carro foi convertida em taxi e está à disposição dos passageiros do aeroporto desde outubro, contanto que esteja carregada. Funciona assim:

O passageiro procura o quiosque do serviço (que poderia ser menos escondido, aliás) e informa para onde quer ser levado. Com o trajeto fechado, o preço da corrida é definido tendo como base o valor a ser pago em um carro convencional e a aplicação do desconto padrão de R$ 20, concedido para estimular o uso do chamado “taxi elétrico”. O preço final é pago ali mesmo, antecipadamente, com dinheiro ou cartão. Viajantes frequentes também podem obter uma espécie de cartão pré-pago, com créditos que serão descontados conforme o uso. Uma corrida que custaria R$ 50 em um carro de praça convencional, por exemplo, custa R$ 30 no elétrico.


Acima, painel da perua informa que carga está quase completa: autonomia média é de 150 km

Tudo depende, é claro, da disponibilidade do carro, que pode estar em outra corrida ou, mais comum, ligado à tomada, carregando. A autonomia das baterias da Palio Weekend elétrica ainda é curta e, segundo os atendentes e um motorista, são suficientes para apenas quatro ou cinco corridas “médias” ao longo do dia. De fato, após rodar cerca de 150 quilômetros, o carro tem de ser recarregado durante 8 horas.

De qualquer forma, embora o custo inicial ainda seja caro, a massificação do projeto tende a ser benéfica a passageiros e motoristas. De um lado, a viagem é mais tranquila, sem ruído do motor, barulho de escape e poluição; do outro, há aumento de potência, além de economia e mais praticidade no reabastecimento.

O custo efetivo do quilômetro rodado ainda está sendo calculado (este é mais um dos objetivos do projeto), mas estima-se algo como 3 centavos de real por quilômetro contra 24 centavos de carros compactos “mil” — e com um cartão de usuário (foto à esquerda), o taxista libera o ponto de carga, “enche o tanque”  e paga a fatura junto com a conta de luz residencial.

Gostou do projeto e gostaria de vê-lo num aeroporto mais próximo de sua cidade? Esqueça! A proposta, que poderia ser levada oficialmente a outros pontos do país, foi barrada de forma estapafúrdia na Câmara dos Deputados, como relatou o jornalista e colunista de UOL Carros Joel Leite (veja aqui).

Mas como tudo ainda está em estado embrionário, temos tempo para discutir, articular e cobrar.

E você, o que acha do desenvolvimento de formas alternativas de propulsão no Brasil? Opine no campo de comentários abaixo.

Conhece algum projeto híbrido ou elétrico sendo testado em sua cidade ou região? Fale com UOL Carros.


Golf, ou ‘Gorf’: uma polêmica
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UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros

Os lançamentos automotivos são um momento agradável do nosso trabalho. Nos eventos, que geralmente incluem um almoço ou um jantar ou uma situação qualquer em que é possível bater papo com os coleguinhas de imprensa, conversamos sobre vários assuntos — carros, carros, carros e carros, principalmente…

Nessas ocasiões, uma discussão que volta e meia aparece é sobre o melhor carro em cada segmento. Soa como uma chatice, eu sei, mas é mais ou menos a mesma coisa que discutir PT versus PSDB em véspera de eleição ou Palmeiras versus Corinthians em véspera de final. E, para nós, carros são assunto todo santo dia. Não tem “véspera”: é sempre.

Quando a disputa é sobre hatches médios, dois modelos são frequentemente citados como os melhores do mercado: Ford Focus e Volkswagen Golf, não necessariamente em ordem de popularidade. O debate é sempre acalorado, garanto a vocês.

Divulgação

Golf, na versão Sportline: junto com o Polo na missão de fazer cara de mau pela Volks

Pois na semana passada pude me reencontrar com um Golf, que eu não guiava já havia um tempinho. Era um Sportline 1.6, que hoje custa cerca de R$ 55.240.

Da experiência com o carro ficou a ideia de listar aqui no blog as cinco maiores críticas que são geralmente feitas ao Golf, tanto pelos especialistas quanto pelo público em geral. Depois, de minha parte, vêm as respostas a essas críticas e, de quebra, cinco elogios. Vamos lá?

ABAIXO O GOLF!

1) O carro está duas gerações atrasado em relação à Europa: o que temos aqui é o Golf 4 reestilizado (Golf 4,5 para alguns), enquanto no Velho Continente roda o 6, com o 7 a caminho.

Está sim, mas e daí? Tanto o Golf 5 (frente do Jetta 2010) quanto o 6 (frente igual à da atual Jetta Variant) são menos carismáticos que o nosso 4,5… A traseira do nosso Golf, por sinal, é MUITO mais bonita. OK, as gerações também diferem na tecnologia. Mas a maioria dos carros globais vendidos no Brasil está defasada em relação aos de fora.

2) O nível de equipamentos fica muito aquém do preço — por exemplo, não há sistema de navegação, e o famoso volante do Passat CC, opcional no Gol e no Fox, não serve no Golf.

Verdade, desde que você queira ter um navegador e/ou um volante igual ao do Passat CC — e pagando mais por isso…

3) Você paga preço de Golf e leva o mesmo powertrain do Gol: ambos são 1.6 com 103 cv (etanol) — só que o Gol pesa 255 kg menos (e é R$ 17 mil mais barato).

Verdade, mas o fato é que o Golf é muito valente com o motor 1.6 — tanto que quem dirige Gol e Polo não sente perde alguma quando sai com ele. E outra coisa: a caixa de câmbio MQ200, de longe a melhor do Brasil, trabalha em rara harmonia com esse propulsor.

4) O Golf virou “carro de boy” ou de “mano”, dependendo do ano e do modelo.

E o Honda Civic, é o quê?

5)  O preço do seguro do Golf é absurdamente alto e a desvalorização também é grande.

Não é bem assim. O seguro, de modo geral, corresponde a 4% do valor atual do veículo, variando para mais ou para menos devido a fatores como idade do motorista, onde o carro dorme e, claro, a “roubabilidade” do modelo. Compradores com perfil “tranquilo” (ou seja, não-boys) e que usam a mesma companhia e a mesma corretora por longo tempo sempre conseguem bons preços. Boys, provavelmente não. Quanto à desvalorização, fica em torno de 15% no primeiro ano. A do Focus 1.6 é de 17%. A do Chevrolet Astra, 16,4%. Esses dados são da tabela da revista Quatro Rodas.

Agora, os meus elogios. São cinco, também:

VIVA O GOLF!

1) Depois que a Volkswagen resolveu deixar todos os seus carros iguais quando vistos de frente, somente Polo e Golf — os vendidos aqui — mantiveram personalidade própria e agressividade no visual.

2) Já insinuei acima, mas repito: não existe no mercado brasileiro um casamento mais perfeito entre motor e câmbio manual que esse do VHT 1.6 com o MQ 200. Isso vale se você dirige na boa e também se gosta de emoção.

3) O acabamento interno desse Golf Sportline que experimentamos é muito, mas MUITO superior ao de todos os concorrentes, incluídos aí Hyundai i30, Focus e até o novíssimo Fiat Bravo. Para achar coisa melhor em carros do mesmo tamanho, só olhando bem para cima — para um Audi A3 ou um BMW Série 1.

4) Lembra do item 4 das críticas? Pois é: de vez em quando é bom parecer-se com o que não se é, certo? E dá um orgulho verde-amarelo saber que o valor de revenda do seu carro garantido pelo enriquecimento das classes C e D!

5) Outro dia deixei o Golf num estacionamento. O funcionário me deu o tíquete, que eu pus no bolso sem olhar. Mais tarde, fui conferir o horário marcado nele, e notei que o sujeito havia escrito GORF em vez de Golf. Eu tinha acordado meio deprê, mas ri tanto com essa mancada que meu dia melhorou 100%.

Tá bem, os itens 4 e 5 foram meio forçados. Mas que fique registrado: quando a discussão é sobre hatches médios, eu ainda opto pela tradição — e apoio o Golf.