PUBLICIDADE
Topo

Em Indianápolis, Fittipaldi faz ventar a bordo de um Camaro

UOL Carros

28/05/2011 22h10

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros
Enviado especial a Indianápolis (EUA)

A General Motors decidiu bombar o centenário da Chevrolet — sua marca global e dona de 51% das vendas do grupo –, a ser comemorado em 3 de novembro deste ano. Entre outras ações, voltará a ter um carro disputando a Fórmula Indy, nove anos depois de sua última participação (o retorno às pistas será em 2012).

Como aquecimento, a GM realiza várias ações de imagem em torno da lendária prova das 500 Milhas de Indianápolis, que acontece neste domingo (29) e que também é centenária — estreou em 1911 e só deixou de ser disputada durante as duas guerras mundiais do século 20. Um dos irmãos Chevrolet, Louis, correu na primeira edição das 500 Milhas; outro, Gastón, ganhou a prova de 1920.

Os dois não poderão participar da festa, mas o igualmente lendário piloto brasileiro Emerson Fittipaldi, duas vezes vencedor das 500 Milhas, pode. E outra coisa que pode é usar o Camaro conversível como pace car da corrida deste ano.

Na antevéspera da histórica corrida, Fittipaldi recebeu um grupo de jornalistas brasileiros no circuito oval (na verdade, quase retangular) de Indianápolis — cujo nome oficial é Indianapolis Motor Speedway, e o apelido, Brickyard, porque a pista já foi de tijolos. Simpático, acessível e paciente, o piloto (chamado aqui nos EUA de "Emmo") assumiu o volante de um dos Camaros, naturalmente de capota aberta, e levou os incautos para umas voltinhas.

Claudio de Souza/UOL

Fittipaldi a bordo de um dos Camaros a serem usados como pace car da Indy

Surpreendido pelo convite, UOL Carros tentou filmar o passeio com uma câmera fotográfica digital, o que já não era muito auspicioso. Mas pior ainda foi ter de sentar no banco traseiro do cupê: o parabrisas do Camaro protegia Fittipaldi e a colega que foi de passageira à frente, mas deixava exposto quem foi atrás.

Por isso, o vídeo de pouco mais de 1 minuto ficou MUITO ruim. Quase desde o começo é impossível ouvir o que diz o piloto ou mesmo o ronco do motorzão V8 do Camaro, já que o ruído do vento no microfone embutido encobre tudo.

Tudo, não. De saída, Fittipaldi avisa que é preciso tomar cuidado com os óculos, pois ventania seria feroz quando ele acelerasse fundo. Dito e feito: interrompemos a filmagem pouco mais de 1 minuto mais tarde exatamente porque nossos óculos ameaçavam voar para fora do carro, e — pior ainda — o punhado de crachás e credenciais de imprensa que tínhamos de usar no circuito viraram verdadeiras armas, chacoalhando sem controle ao sabor do twister provocado por Fittipaldi. Tivemos de recolher tudo, inclusive a câmera, e mal conseguimos olhar à frente de novo, já que lacrimejávamos furiosamente.

Assista ao vídeo aqui.

Fittipaldi chegou a 140 milhas no final das duas retas de Indianapolis. Isso equivale a 225 km/h (e não 260 km/h, como havíamos postado antes). A calma com que ele pilota a essa velocidade chega a ser surreal — até porque na Indy passar de 300 km/h é a regra.

Empunhando o volante com incrível leveza, Fittipaldi fez comentários sobre a pista e chegou a indicar a progressão das marchas gesticulando com a mão. Enquanto isso, o muro à direita parece querer jantar o Camaro a cada saída de curva (todas elas à esquerda, já que se corre no sentido anti-horário, como em Interlagos). Lutávamos arduamente para que nossos pertences não decolassem à ré, e o boné de Fittipaldi não se moveu um mílimetro sequer. Coisa de mestre.

Em tempo: a colega Patrícia Trudes da Veiga, editora de Veículos da Folha de S.Paulo, era a passageira de Fittipaldi no nosso Camaro e gravou um vídeo que pode ser visto aqui. Seu texto revela parte do que Fittipaldi disse enquanto pilotava.

Viagem a convite da General Motors do Brasil

Sobre o Blog

Bastidores, curiosidades e pequenas loucuras revelados pela redação de UOL Carros, que nunca para de falar de carros. Nunca...