Blog UOL Carros

Arquivo : September 2010

Pioneiro dos cupês de 4 portas, Mercedes CLS sofre ampla mudança
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

Texto atualizado em 8/10/2010

Nos últimos anos os cupês de quatro portas viraram algo normal, a ponto de a primeira aparição de um deles, o Volkswagen Passat CC, ter acontecido longe de casa — no Salão de Detroit 2008, nos Estados Unidos. Mesmo sedãs que são distintamente três-volumes vêm tentando agudizar a queda do teto em direção ao porta-malas, em busca de um ar mais esportivo. Pois chegou a hora de um dos pioneiros do estilo entrar em sua segunda geração: o Mercedes-Benz CLS, surgido em 2004.

A plástica foi extensiva, atingindo todo o corpo. A silhueta do CLS ficou mais próxima do Classe E Coupé, acabando com aquela impressão de “achatamento” algo exagerada passada pela primeira geração — e sem mexer no comprimento, que continua de 4,92 metros.


Janela traseira maior, generosas lanternas em ângulo: o CLS melhorou

O CLS ficou mais musculoso e mais agressivo também: sua dianteira remete ao superesportivo SLS. Parece até mesmo um Mercedes preparado pela AMG, divisão esportiva da marca alemã. Já a traseira se beneficiou de lanternas colocadas — por assim dizer — em àngulo de 45 graus, muito melhor resolvidas que as anteriores.

O conteúdo, claro, traz aquele habitual show alemão de tecnologia, no caso com duas novidades importantes quanto à segurança: alerta de ponto cego, que pode prevenir acidentes após uma troca de faixa arriscada (talvez feita porque o motorista não pôde ver o outro carro se aproximando), e um sistema que acompanha a sinalização contínua da via, “fiscalizando” se o carro não a cruza de modo afobado. Ambos os sistemas podem acionar os freios autonomamente, por meio do controle de estabilidade.

Esboçado no conceito F800 que a Mercedes exibiu no Salão de Genebra de março último, o novo CLS vem coroar uma história de sucesso: mais de 170 mil unidades já foram vendidas em todo o mundo em seis anos. Parece pouco, mas trata-se de um carro de luxo e de nicho, certo?

O exterior mudou, e os motores também foram melhorados: segundo a Mercedes, quando o CLS chegar às lojas europeias em janeiro próximo, o comprador poderá escolher entre o 350 CDI (diesel) de 265 cavalos e o 350 (gasolina) de 306 cv, ambos 3.5 V6. Dois meses mais tarde, haverá a opção “econômica”, a 250 CDI, com motor 2.5 a diesel de 204 cv e um consumo prometido de 20 km/l. Todos têm o selo BlueEfficiency e sistema stop/start. Já em abril, quem estiver se lixando para o ambiente pode comprar o CLS 500, com motor V8 a gasolina de 408 cv.

Na Europa, o preço inicial do novo CLS ficará em torno de 60 mil euros (R$ 138 mil). O carro deve chegar ao Brasil no segundo semestre de 2011, a um preço semelhante ao cobrado pelo CLS atual, de R$ 310 mil (350 V6).

Foto: Claudio de Souza/UOL


Hyundai ix20 não causa mesmo impacto que ‘primo’ mais velho
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

A Hyundai aproveita o Salão de Paris para lançar um novo modelo, o ix20, uma espécie de ix35 em escala menor. Voltado para o uso familiar, mas com uma pegada um pouquinho menos careta que a usual entre os monovolumes e as minivans, o carro é fabricado na planta da sulcoreana localizada na República Tcheca e não tem previsão de lançamento fora da Europa.

Assim como no Brasil, a Hyundai europeia faz da longa garantia um apelo de vendas: a do ix20 é de cinco anos, sem limite de quilometragem, e oferece ainda, ao longo do mesmo prazo, assistência ao usuário (socorro em panes, por exemplo) e check-ups técnicos. Não foi dito, é claro, se há letrinhas pequenas no contrato.

Na Europa, o alvo mais direto do ix20 é o Citroën C3 Picasso, disponível no Brasil sob o nome Aircross e vestido de aventureiro. Outro expatriado oriental que pode ser visto como potencial rival do sulcoreano é o Honda Fit, que aqui é vendido como Jazz.


Pare de olhar para as moças e repare na grade do ix20: o que é isso?

Mesmo seguindo a diretriz de design da “escultura fluida”, que tem origens remotas na obsessão cinética dos futuristas do início do século passado, o ix20 nos pareceu bem sem graça. Visto pela frente, apresenta duas depressões inexplicáveis no capô, logo acima dos faróis, e uma grade com um desenho irregular, que dá a impressão de ter sido rabiscado às pressas na prancheta do projetista. A traseira, antiquada, não ajuda muito. Perde feio na comparação estética com seu irmão de plataforma, o Kia Venga (também sem previsão de vendas no Brasil).

Os motores disponíveis são três: dois 1,4 litro de 90 cavalos (um a gasolina e outro a diesel) e outro um pouco maior, de 1,6 litro e 125 cv. Os preços não foram divulgados.

Os visitantes do salão parisiense também poderão ver no estande da Hyundai o Genesis Coupé e o sedã de luxo Equus, criado para concorrer com os topo de gama das fábricas alemãs — Audi A8, BMW Série 7 e Mercedes-Benz Classe S.

Foto: Claudio de Souza/UOL


Ninguém perde por esperar as fotos e os vídeos!
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

Um aviso aos navegantes desse blog: vários álbuns de fotos com os principais modelos do Salão de Paris serão publicados em UOL Carros a partir desse final de semana. Os carros serão mostrados por todos os ângulos e com riqueza de detalhes — inclusive alguns que já apareceram por aqui (como o novo Volkswagen Passat e o Citroën DS4). Ninguém perde por esperar.

Também teremos vídeos exclusivos, preparados pela equipe do programa Auto+, da Rede TV!, especialmente para nossa cobertura.

Senta, que lá vem imagem! Por enquanto, vá curtindo o álbum que dá uma geral na escalação do salão parisiense.


Renault quer elétricos baratos; Brasil não vê novo sedã grande
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

Pouco ou quase nada que a Renault mostra aqui no Salão de Paris diz respeito ao Brasil, ao menos imediatamente. O chefão mundial da empresa, Carlos Ghosn, compareceu ao evento para afirmar que o objetivo principal da marca é apostar na eletricidade como energia de propulsão automotiva. Para isso, apresentou o ZOE Preview, carro-conceito que antecipa em 90% (segundo a marca) o modelo real, a ser lançado em meados de 2012.


O todo-poderoso Carlos Ghosn ao lado do ZOE, que já está quase pronto

Ghosn afirmou que o ZOE será “a fundação da gama de emissão zero [de gases poluentes] da Renault”. Com 4 metros de comprimento e enormes rodas de 19 polegadas — será que elas serão mantidas no carro de produção? –, o ZOE terá torque de 22 kgfm disponíveis imediatamente, mas velocidade máxima de apenas 135 km/h.

Um desafio mais imediato é vender versões elétricas de carros já existentes pelo mesmo preço das dotadas de motores a combustão. “Queremos carros elétricos baratos”, disse Ghosn. Juntando ação às palavras, a Renault passou a oferecer aos europeus o sedã Fluence e a multivan Kangoo na versão ZE (de “emissão zero”), pedindo por eles, respectivamente, 26 mil euros (R$ 60 mil) e 20 mil euros (R$ 46 mil). Na França há a possibilidade de um bom desconto sobre esse valor. Só que as baterias não estão incluídas: paga-se 79 euros e 72 euros mensalmente para o leasing da peça.


Se liga (na tomada): esse ZOE ainda vai dar o que falar, promete a Renault

A Renault também mostrou o conceito DeZir, um cupê baixo e de linhas fluidas, um estudo de estilo que pode esconder dicas de como serão os modelos da marca mais adiante — renovação que, aliás, seria muito bem-vinda.


Cupê DeZir esconde possíveis atualizações — todas bem-vindas — do portfólio da Renault
CLIQUE NA IMAGEM e veja mais fotos exclusivas

Demais disso, chama atenção no estande da Renault o novo sedã grande Latitude. Um exame dos seus (intermináveis) 4,89 metros de comprimento faz pensar: esse carro deve ser da Hyundai e veio parar aqui por engano. Lembra, principalmente, o Genesis.

Não é verdade, mas tampouco é um absurdo: o Latitude é uma repaginação do sulcoreano Samsung SM5 visando o mercado da Europa e, principalmente, dos chamados países emergentes (os “quase-lá”). Carlos Ghosn, que tem cidadania brasileira, não citou nosso país como um dos futuros endereços do sedã — mas citou o México. Com uma unidade de força V6 de 240 cavalos, poderia ser um rival para o Hyundai Azera, por exemplo. Mas ficaremos mesmo com o Fluence, substituto eventual do Mégane. E não será o ZE.

Fotos: Claudio de Souza/UOL e Murilo Góes/UOL


Citroën confirma linha DS, mas novos C3 e C4 ficam na fila
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

Em 2012, a Citroën vai vender no Brasil os dois modelos de sua gama DS, o DS3 e o DS4. São carros que seguem a lógica numérica e ordinal da marca, e que podem ser descritos, grosso modo, como um C3 e um C4 anabolizados e com mais requinte.

Com esta decisão de mercado, a Citroën deve reforçar seu status de marca premium no Brasil, já obtido (ao menos marqueteiramente) por sua gama atual. Não é à toa que muita gente ainda acha que a Citroën só tem carros importados.

No entanto, vão para o fim da fila de prioridades da marca as atualizações do C3 e do C4 propriamente ditos. Aqui na Europa o hatch compacto reformulado já roda há tempos, e o médio acaba de mudar de cara — o lançamento do novo C4 dois-volumes acontece neste Salão de Paris.


Um pouco de raiva não faz mal a nenhum carro: eis o DS4

Segundo Ivan Ségall, presidente da Citroën do Brasil, os atuais modelos vão muito bem, obrigado, e não há porque mexer neles no momento. “O C4 vende bastante no Brasil e acabamos de lançar o ano-modelo 2011; e o C3 também é um sucesso”, disse o executivo. Fora isso, ainda há o recém-lançado Aircross, derivado do C3 Picasso europeu.

Falando do que virá: os modelos DS estão passando por ajustes técnicos para adaptação à gasolina brasileira. Importados da Europa, viriam com propulsores monocombustíveis; não há interesse em investir na tecnologia bicombustível para carros de baixo volume. O DS3, por exemplo, teria a meta de emplacar 150 unidades por mês, de acordo com Ségall.

O DS4, ao contrário do que sugeria o conceito High Rider, tem quatro portas, e não duas. É um pouco mais curto (4,27 metros contra 4,33 metros) e um pouco mais alto (1,53 m contra 1,49 m) que o novo C4. Mas tem visual muito mais agressivo, com capô robusto, ampla grade dianteira e vincos e contornos nas laterais. Aqui na Europa — onde começa a ser vendido no final do ano — terá diversas opções de motores, inclusive a diesel. Os propulsores a gasolina entregam aproximadamente 120, 155 e 200 cavalos de potência. O preço estimado é de 22 mil euros (cerca de R$ 51 mil).

E seria muito bacana se o DS3 “brasileiro” fosse a versão — hilariantemente — denominada Sport Chic. Com rodas de aro 17 e motor 1.6 a gasolina turboalimentado, ele entrega torque de 24 kgfm e vai a notáveis 217 km/h de velocidade máxima. Preço: 20,3 mil euros (R$ 46,7 mil).

Foto: Claudio de Souza/UOL


Se o Peugeot 508 não vier, subtraia 100
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

O Salão de Paris 2010 abriu para a imprensa nesta quinta-feira (30) sob um céu cada vez mais azul na capital francesa. Boa metáfora para o clima geral no evento, muito mais relaxado do que há dois anos, quando o salão foi realizado debaixo das nuvens negras do início da crise financeira global. Dito isso, vamos à luta.

Já falamos aqui do Peugeot 508, que de fato é a grande atração no estande da marca francesa. Podemos agora acrescentar que a sua eventual importação oficial para o Brasil é um assunto em discussão.


Ao lado de dois 508, chefão da Peugeot avisa: queremos o mundo!

De acordo com uma pessoa ligada à montadora, se a agressiva estratégia de mercado anunciada hoje em Paris pelos executivos da Peugeot for seguida à risca — a ideia é se tornar uma marca de alcance verdadeiramente mundial –, o novo sedã médio-grande deve, sim, ser vendido em terras verde-amarelas. Se isso acontecer, será em 2012, e quase certamente apenas com a carroceria sedã; a station wagon não viria, por uma questão de baixa demanda.

Visto de perto, o 508 — que inaugura um design mais conservador, ou “clássico”, para a marca — agrada justamente por ser discreto. Nem em sonhos ele poderia disputar em pé de igualdade com rivais do trio alemão Audi, BMW e Mercedes-Benz, mas poderia ser uam boa opção para gastar menos do que com um A6, um Série 5 ou um Classe E, e se sentir tão bem quanto a bordo de um Toyota Camry ou um Honda Accord.

O que é certo mesmo é o lançamento no Brasil do sedã médio 408, já vendido na China e voltado aos chamados mercados emergentes. O modelo será montado na Argentina e chegará apenas como três-volumes, aposentando de vez o 307 sedã. Será um míssil francês em direção à dupla Toyota Corolla/Honda Civic. E estará no Salão de São Paulo, em outubro.

Foto: Claudio de Souza/UOL


Novo VW Passat chega ao Brasil entre abril e junho de 2011
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

Na véspera da abertura do Mondial de l’Automobile para a imprensa, nesta quinta-feira (30) pela manhã, o grupo  Volkswagen fez uma apresentação resumida de suas principais atrações no evento parisiense.

Uma das coisas mais interessantes a respeito dessa megaempresa — que quer ser a maior fabricante mundial de  automóveis até 2018 — é como ela consegue conciliar marcas tão diferentes quanto a espanhola Seat, de duradoura (e hoje injusta) má fama no quesito confiabilidade, e a francesa Bugatti, especialista em supercarros absurdos como o Veyron Supersport, que vai de 0 a 300 km/h em 14,6 segundos. Sim, de zero a TREZENTOS.

Como numa sociedade de castas à moda europeia, o grupo se divide entre o “povão”, para o qual existem as marcas Seat, Skoda (República Tcheca) e a carro-chefe Volkswagen; a classe média, com a Audi; e os endinheirados, o chamado “andar de cima”, com Bentley (para aristocratas), Bugatti (para bilionários), Porsche e Lamborghini (para playboys de todas as idades). De certa forma, o grupo emula a General Motors dos áureos tempos nos Estados Unidos — só que em escala continental.

No evento desta quarta-feira, cada uma das marcas do grupo exibiu um modelo, de produção ou conceitual. Os destaques — para citar os três mais urgentes — foram o novo VW Passat, o Audi Quattro Concept e o protótipo superesportivo Lamborghini Sesto Elemento.


Passat 2011 ganhou a frente nova da Volks — e perdeu personalidade

O Passat renovado (é a sétima geração do modelo, que já vendeu 15 milhões de unidades em todo o mundo) traz uma variação da nova dianteira da Volks, já conhecida no Brasil com o Fox e a SpaceFox. No caso, foi apropriada do Phaeton, o sedã superluxo da marca alemã que ganhou novo fôlego devido ao mercado chinês. Basicamente, isso significa que as barras horizontais da grade frontal, alinhadas aos faróis de cortes duros e retilíneos, são quatro. As lanternas traseiras abandonaram os elementos redondos e trazem quatro pontos de luz cada uma. À primeira vista, o carro perdeu personalidade.

Na Europa, o Passat (também disponível na carroceria station wagon) terá três versões de acabamento, além de uma quarta opção com pegada esportiva, preparada pela divisão R da marca. Sob o capô, dez opções de motorização, usando gasolina, diesel, gás e etanol (na mistura E85). Como recheio, a Volks oferece um pacotão de tecnologia voltado à dirigibilidade, à segurança e ao conforto.

O novo Passat chega ao Brasil entre abril e junho de 2011. O novo Jetta — que também tem pretensões acima de seu segmento — vem antes, ainda no primeiro trimestre.


Lá vem o Quattro Concept, descendo a ladeira: será que vira carro?

O Quattro Concept, que comemora os 30 anos da tração integral quattro, patente da Audi, é o esboço de um cupê esportivo compacto de duas portas. Na prancheta da Audi, o eventual futuro carro teria uma unidade de força capaz de gerar pouco mais de 400 cavalos de potência, com o trabalho de cinco cilindros em linha, em vez dos seis em V do primeiro modelo com essa tração. Vale lembrar que os carros menores e mais baratos da Audi, como o A1 e o A3, têm apenas tração dianteira.

Por fim, vale uma palavrinha sobre o Sesto Elemento, que a Lamborghini vinha vazando aos poucos na internet e que finalmente foi confirmado para o Salão de Paris.

De frente ele é um típico Lambo, mas visto por trás parece mesmo é um foguete. Sua construção em fibra de carbono — a pesquisa de materiais foi feita numa universidade de Seattle (EUA) que trabalha com a Boeing — garante um peso ligeiramente inferior a uma tonelada, otimizando a relação peso/potência, que ficaria em 1,75 kg para cada um dos cerca de 570 cavalos produzidos pelo motor V10 de 5,2 litros.


Eis o Lambo Sesto Elemento; presume-se que seja a fibra de carbono

É como diz um “manifesto” da Lamborghini, entregue aos jornalistas durante o evento: a velocidade máxima que um superesportivo pode atingir vem perdendo a importância nos últimos anos, já que todos passam dos 300 km/h e essa é uma marca impensável até mesmo numa pista de corrida. Por isso, o que interessa agora é “design, dirigibilidade e aceleração”.

É uma maneira elegante de admitir que os supercarros simplesmente não podem mais enxugar gasolina e poluir o ambiente ao bel prazer de seus endinheirados donos…

Nenhum dos carros exibidos pelo grupo Volkswagen teve preço divulgado.

Fotos de Murilo Góes/UOL


Os presentes dos donos da festa em Paris: elétricos e 508
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

Como é natural, o Salão de Paris é um belíssimo palco para as fabricantes de carros francesas. PSA Peugeot Citroën e Renault usam o evento para mostrar suas novidades em modelos de produção e conceitos — as alemãs fazem a festa no Salão de Frankfurt, que acontece nos anos ímpares.

Para este ano, a principal aposta da PSA em termos de “o futuro, agora”, como diz o slogan do salão, é a dupla de gêmeos Citroën C-Zéro e Peugeot iOn. São dois carrinhos elétricos derivados do Mitsubishi i-MiEV, com foco no mercado urbano europeu.


Citroën C-Zéro e Peugeot iOn: irmãozinhos elétricos e caros

A PSA quer colocar os dois nas ruas até o final de 2011. Ambos levam quatro passageiros em seus compactos 3,48 metros de comprimento. O motor elétrico impulsiona as rodas traseiras, e a autonomia com uma carga da bateria — sempre uma questão espinhosa — chegaria a 150 km, de acordo com a fabricante (a depender do modo de utilização: ligar o ar-condicionado, por exemplo, restringe o alcance). Ambos podem ser recarregados numa tomada elétrica comum, por cerca de sete horas.

O problema principal é o preço: para ter um C-Zéro ou um iOn o motorista terá de desembolsar ardidos 30 mil euros, algo em torno de R$ 70 mil.

Para o apreciador de carros “normais”, talvez a grande estrela “caseira” do Salão de Paris seja o Peugeot 508, sedã médio-grande (4,79 metros) que matará o 407 e que deve chegar às lojas no comecinho de 2011. O carro é importante porque, ao completar 200 anos de existência (120 deles fabricando carros), a Peugeot deu uma bela chacoalhada no seu design. Veja:


Peugeot 508: sedã é menos francês e mais “world class”

O “jeito felino de ser” da atual gama Peugeot foi substituído por uma silhueta que remete à BMW e uma dianteira com capô vincado e grade e conjunto óptico reformulados, um conjunto que lembra um pouco o Jaguar XF. Vale notar que o Citroën C5, “primo” estrutural do 508, continua com a mesma cara “citroënica”.

As referências de estilo do 508 são luxuosas, sem dúvida, e também necessárias para concorrer no segmento premium — assim como o recheio do modelo, que inclui um avançado sistema de navegação, partida por botão, banco do motorista com massagem e ar-condicionado de quatro zonas. A motorização a gasolina deve incluir dois propulsores 1.6 (um deles sobrealimentado) e um 2.0; na Europa haverá opções a diesel e uma versão híbrida.

O preço? Aqui na Europa, cerca de 21 mil euros (R$ 50 mil) — ou seja, 9 mil euros a menos que o C-Zéro e o iOn. Qual você compraria?

Em tempo: o 508 será fabricado na França e na China — este, um mercado conservador em termos de estilo, que pode ter influenciado o novo design da marca. Quanto a ser vendido no Brasil, por ora há apenas rumores. Aguardemos.


Jornalismo em área de risco
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

Ah, que vida boa é cobrir um salão de carros na cidade mais bonita do mundo, né? É o que sempre me dizem os amigos, sem esconder uma ponta de inveja.

Mas as coisas não são tão fáceis assim

PS — Não achei hoje sequer uma linha sobre o assunto nos dois principais jornais franceses, Le Monde e Le Figaro; ontem, assim que li essa notícia no UOL, liguei a televisão no quarto do hotel e fiquei esperando por novidades. Nada, também.


Reflexões de véspera
Comentários COMENTE

UOL Carros

CLAUDIO DE SOUZA
Editor de UOL Carros, enviado especial

Em 2008 escrevi longamente sobre a gradual adoção, por parte dos franceses, de carros menores, mais eficientes e baratos como um remédio (parcial) para a crise financeira global que acabara de estourar, e também (mas, admitamos, secundariamente) para preservar o ambiente das emissões de gases. Ainda não tive tempo, nessa nova estada em Paris, para apelar ao bom e velho “olhômetro” e perceber se esse processo ganhou corpo ou se foi uma tendência de momento.

Por contraste, vale citar que em Londres, na Inglaterra, o centro da cidade (onde se paga uma salgada taxa para circular de carro) está tomado por um desfile de modelos de luxo de marcas como Audi, BMW, Mercedes-Benz, Aston Martin, Jaguar e Lexus — até um Maybach, que transportava (com motorista, é claro) um sujeito com pinta de milionário russo eu vi por lá, numa visita de quatro dias. Enquanto isso, o metrô me pareceu sempre a um passo da superlotação.

Ou seja: ao menos no centro, usar carro em Londres é coisa de rico.

Voltando a Paris: numa breve caminhada pelos arredores do Parc des Expositions, sede do salão, colhi algumas imagens que, apesar de sua mediocridade estética, contêm informações interessantes. Vejam:

1 – Essa foto diz muito do que é o sistema de transportes em Paris. Em primeiro plano, uma bicicleta dotada de cadeirinha para criança. Ela está presa à grade da entrada do metrô Porte de Versailles. À direita, um tram, que nada mais é que um bonde elétrico moderno — ali é o ponto final de uma linha do sul da cidade. E ao fundo está um dos pavilhões do Parc des Expositions, onde acontece o salão. É isso aí: bicicleta, metrô e bonde. Agora, pense no Anhembi, em São Paulo, e lembre-se de como é “fácil” e “civilizado” chegar até ele em período de Salão do Automóvel…

2 – Uma série de cartazes como este foi instalada na rue de Vaugirard, também perto da Porte de Versailles. São lembretes de como o trânsito parisiense pode ser violento — para os padrões europeus, ao menos. No caso, o texto lembra que, no ano passado, 19 (isso mesmo, DEZENOVE) motociclistas perderam a vida em acidentes nas ruas de Paris. Em São Paulo, bastam uns 15 ou 20 dias para atingir essa marca…

3 – Por fim, uma amostra de que não é só no Brasil que o pessoal tem a mania de deixar tudo para a última hora: a dois dias da abertura do Salão de Paris para a imprensa (essa foto é de terça-feira, 28), a turma ainda está arrumando a casa para o início do evento!